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quarta-feira, 21 de março de 2018

O vento foi plantado. A colheita da tempestade se aproxima

Do Ari Cunha
Vergonha (para aqueles que de fato sentem) talvez seja a palavra que melhor expresse a sensação provocada pela visita do ex-presidente Lula e sua trupe a cidade fronteiriça gaúcha de Bagé. Mais do que palavras, os diversos vídeos postados na rede falam por si. Enxotado por uma multidão de pequenos agricultores que gritava enfurecida palavras de ordem, exigindo sua prisão imediata, Lula, no seu torpor, talvez não tenha se dado conta ainda, mas seus dias de fausto parecem ir se dissolvendo diante de todos.

A correção de percurso, que poderia ser adotada nos distantes dias daquele junho de 2005, quando estourou o escândalo do mensalão, não foi feito. O navio partidário, que nos melhores tempos petistas chegou a ser um verdadeiro transatlântico, pelo tamanho e variedade da tripulação a bordo, vai hoje indo a pique juntamente com seu comandante, indiferente ao mar revolto que se forma em torno.

Por questões que só o personalismo esclarece, a saída de Lula do cenário político retira a escada do partido, que passa a vagar solto no ar, como uma legenda nanica. Sem o lulismo, construído com o dinheiro farto do marketing político nos tempos de glória, o petismo vai de encontro a seu ocaso. Um bageense, perguntado sobre o episódio constrangedor de ver uma cidade escorraçando um ex-presidente, resumiu a situação com a frase: “já que as autoridades não retiram um condenado em segunda instância pela justiça de circulação, cabe aos cidadãos de bem e indignados fazer esse trabalho.” Encurralado dentro da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), onde os convidados aguardavam seu discurso, foi necessário a intervenção das forças de polícia para retirar o palestrante em segurança, ameaçado pela multidão que havia fechado as principais saídas da cidade.

Situações vexatórias como essa decorrem justamente de iniciativas propostas lá atrás, quando, do alto de sua popularidade, Lula pregava frequentemente a cizânia nos seus discursos como o mote “nos contra eles”. Hoje não faz diferente, classificando de direita e de fascistas, todos aqueles que não comungam com sua cartilha. Especialistas nessas confusões garantem que a recepção hostil em Bagé irá se repetir em outros cantos do país por onde a caravana passar.

Pelo tamanho da confusão naquela terra de agricultores, dá para prever que a safra que Lula está colhendo agora com as mãos, corresponde, exatamente, àquela que plantou com os pés.

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