Edmar Arruda
A discussão nas rodas de política têm sido sobre o possível impeachment da presidente Dilma. As conversas se baseiam nos escândalos da Petrobrás, que envolvem o governo, a campanha de reeleição e o partido dela e chegam a outros motivos que não causariam o processo, a ineficiência administrativa.
Mas, afinal, a campanha pela reeleição foi legal ou ilegal? Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que comanda o Ministério Público Federal, é o responsável por conduzir investigações sobre políticos no Congresso Nacional e foi indicado para a recondução do cargo, pela presidente Dilma, para mais dois anos à frente da Procuradoria-Geral, isso “não interessa à sociedade”.
Segundo artigo publicado na revista Veja, no último dia 09, Janot também afirma que é inconveniente discutir isso, pois as eleições já passaram e os vencedores devem “usufruir as prerrogativas de seus cargos”. Desta forma, não haverá investigação e com isso, nenhuma punição.
Não basta ter indícios que a empregada doméstica recebeu R$ 1,6 milhão, o motorista que virou sócio de uma empresa que prestou serviços para a campanha de Dilma ou então, uma gráfica que recebeu mais de R$ 20 milhões e não tem sequer uma máquina, funcionários ou uma sede.
Existem dados reais que mostram que ao mesmo tempo, não existiu nada.
Ela não viu, ouviu ou não sabia de nada?
O que se espera de um líder de uma nação é sabedoria, conhecimento e eficiência na administração. Neste caso, não houve nem na campanha, nem depois dela.
O que vemos na operação Lava-Jato, investigada pela Polícia Federal, é o envolvimento direto e descarado de donos e diretores de empreiteiras de obras públicas, fornecedores do governo e de empresas que precisam de licenças e autorizações para funcionar, como financiadoras da campanha eleitoral da Dilma. Lembro que esses envolvidos são considerados criminosos já condenados por corrupção ativa na 13ª Vara da Justiça Federal, em Curitiba.
Ok, consideremos que tudo foi declarado na prestação de contas. Contudo, isso não quer dizer que não houve corrupção. E o tal do lobby? E a troca de favores? E as licitações fraudulentas que vieram a galope depois da posse?
O colunista das revistas Exame e Veja, José Roberto Guzzo sintetiza, perfeitamente, sobre este processo que chama de coquetel de formicida: “A flor do mal está na origem contaminada das doações – se elas são fruto do crime, a coisa toda vai para o diabo”.
Os gastos declarados com a reeleição da Dilma totalizaram R$ 350 milhões. Como candidata a presidente da República, que argumentava nos discursos sua eficiência administrativa, moral e ética, fica difícil acreditar que ela não sabe qual a origem das doações, algumas na casa dos milhões
A discussão aqui trata da corrupção e de dinheiro ilegal que elegeram Dilma, mas pretende estimular a criticidade de todos nós eleitores e da necessidade de mais transparência e fiscalização nas campanhas eleitorais no Brasil.
Não é possível que não se tenha visto, ouvido ou não saiba de nada.
Edmar Arruda é deputado pelo PSC-PR.
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